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Simples Nacional sobrevive à Reforma Tributária? Impactos e preparativos para sua PME
Com a aprovação da Reforma Tributária, muitas PMEs se deparam com um dilema: o Simples Nacional não desaparece, mas se torna mais complexo. Sem um preparo antecipado, micro e pequenas empresas correm o risco de perder competitividade ao não conseguir repassar créditos fiscais, resultando em custos mais altos e menor atratividade diante de clientes maiores.
Nos próximos anos, o convívio com o modelo de IVA dual e a necessidade de análise estratégica dos cenários tributários serão determinantes para preservar a saúde financeira e garantir vantagem no mercado. Nesta curadoria, destacamos os principais riscos e apontamos como iniciar seu planejamento para enfrentar essa nova realidade.
A nova realidade tributária que pode comprometer sua competitividade
Com a entrada em vigor da Reforma Tributária, as micro e pequenas empresas enfrentam um cenário mais desafiador. A falta de preparo para lidar com mudanças como o IVA dual e a coexistência de dois regimes pode resultar em custos adicionais significativos e na perda de vantagem competitiva.
Entre os principais riscos para aqueles que não se anteciparem, destacam-se:
- Dificuldade de repasse ou apropriação de créditos tributários, reduzindo a atratividade junto a clientes maiores;
- Aumento de custos operacionais causados por adaptações em sistemas de faturamento e controles internos;
- Possibilidade de multas e autuações devido ao descumprimento de novas regras;
- Redução das margens de lucro diante de despesas inesperadas e revisão de preços.
Entenda as principais mudanças no Simples Nacional
Mesmo com a implementação do IVA dual, o Simples Nacional permanece como regime diferenciado para micro e pequenas empresas, garantindo a unificação de tributos em uma única guia de recolhimento.
- Enquadramento mantido: voltado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões;
- Unificação de obrigações: continua a consolidação de impostos federais, estaduais e municipais numa única apuração;
- Adequação de alíquotas: ajustes nas faixas e percentuais para compatibilizar o regime ao novo modelo de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Com essas mudanças, o Simples Nacional segue oferecendo simplificação, mas requer revisão de processos internos e acompanhamento constante das novas regras para manter a eficiência tributária.
O impacto do IVA dual (CBS e IBS)
No modelo de IVA dual, as alíquotas sobre bens e serviços são divididas entre a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios. Em cada etapa da cadeia, o imposto pago na compra gera crédito fiscal, que é compensado no momento da venda, reduzindo a cumulatividade.
Para prestadores de serviços, os principais efeitos incluem:
- Adaptação dos sistemas de faturamento eletrônico para identificar operações sujeitas a CBS e IBS;
- Controle e gestão de créditos tributários de insumos e serviços tomados, que podem ser usados para abater obrigações futuras;
- Revisão de contratos e preços, já que clientes fora do Simples priorizam fornecedores que gerem créditos de IBS e CBS;
- Complexidade operacional durante o período de transição, com apuração simultânea de regimes tributários.
Créditos tributários e competitividade no mercado
No Simples Nacional, as empresas não geram créditos de CBS e IBS que podem ser aproveitados por clientes enquadrados em regimes normais. Essa limitação torna os prestadores do Simples menos atrativos para médias e grandes companhias, que buscam reduzir custos e otimizar fluxo de caixa por meio da recuperação de impostos.
Na prática, essa dinâmica leva as grandes empresas a:
- Priorizar fornecedores fora do Simples, capazes de repassar créditos fiscais ao longo da cadeia;
- Exigir descontos adicionais de prestadores do Simples para compensar a ausência de créditos;
- Avaliar, durante processos de compra, o impacto tributário de cada parceiro antes de firmar contratos.
Em um cenário cada vez mais competitivo, as micro e pequenas empresas devem entender esses aspectos para ajustar preços e demonstrar vantagens que vão além da simplificação do regime tributário.
O período de transição: convívio entre dois sistemas
A Reforma Tributária estabelece um cronograma gradual até 2033, durante o qual as micro e pequenas empresas deverão apurar simultaneamente as regras do Simples Nacional e do novo IVA dual (CBS e IBS). Essa sobreposição exige espaço para testes, ajustes em sistemas e capacitação de equipes contábeis.
- 2024–2026: implantação inicial do IVA dual em grandes contribuintes e adequação de sistemas de faturamento.
- 2027–2030: extensão progressiva aos optantes do Simples, com treinamento de equipes e integração de controles fiscais.
- 2031–2033: consolidação final, desembaraço de processos antigos e unificação plena de CBS e IBS em única apuração.
Ao gerir dois regimes paralelos, as PMEs enfrentarão desafios como: atualizações constantes de software, retrabalho na escrituração de documentos fiscais e necessidade de monitorar prazos distintos. Um planejamento antecipado e a adoção de rotinas de conferência periódica serão cruciais para evitar falhas, multas e garantir a conformidade até a transição total em 2033.
Planejamento tributário: avaliando se o Simples continua a melhor opção
Para avaliar se permanecer no Simples Nacional continua sendo a melhor opção, inicie pela comparação de cenários tributários. Analise projeções de impostos, custos operacionais e fluxo de caixa em cada regime disponível — Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real — e identifique o impacto no preço final de seus produtos ou serviços.
- Comparação de cenários: simule alíquotas e despesas para cada regime, projetando a carga tributária anual;
- Revisão de preços: atualize planilhas de custos e margens para absorver variações na tributação;
- Planejamento estratégico: avalie incentivos fiscais setoriais, regimes especiais e oportunidades de crédito;
- Monitoramento contínuo: acompanhe mudanças na legislação e ajuste suas projeções periodicamente.
Adotar essas práticas fortalece a tomada de decisão, evita surpresas financeiras e garante que sua PME mantenha competitividade. Lembre-se de que o planejamento tributário é um processo dinâmico: revisite e ajuste suas estratégias sempre que houver alterações no negócio ou no ambiente fiscal.
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Na JCC Assessoria Contábil, oferecemos suporte contínuo para sua PME acompanhar e se adaptar às mudanças do Simples Nacional e do novo IVA dual. Nossa equipe alia conhecimento tributário e contábil para orientar na revisão de processos, projeção de cenários e elaboração de estratégias que minimizem riscos e fortaleçam a competitividade do seu negócio.
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Fonte desta curadoria
Este artigo é uma curadoria do site Terra. Para ter acesso à matéria original, acesse Simples Nacional sobrevive à Reforma Tributária? O que muda para PMEs





